
Informação? O que interessa é a fofoca
Por Ligia Martins de Almeida em 18/5/2007
Quem é essa mulher que cai no choro quando é chamada de feia por um colega? Se os leitores quiserem resposta, vão ter que pesquisar muito. Porque a imprensa, a julgar pelo que foi publicado na semana passada, não tem o menor interesse em dizer. Na briga entre os deputados Cida Diogo (PT-RJ)e Clodovil Hernandes (PTC-SP), a imprensa mostrou que o culto às celebridades e a fofoca tomaram, definitivamente, o lugar da informação.
Homossexual assumido, Clodovil chegou ao Congresso com 500 mil votos obtidos sem plataforma política, exceto pelo fato de suas espectadoras acreditarem que ele fala a verdade. Com sua presença constante na mídia, ele simplifica bem o trabalho da imprensa, já que não é preciso dizer quem ele é, que partido é esse ao qual se filiou e que serviços, como deputado, ele pode efetivamente prestar ao Congresso. Se ele já fez alguma coisa no Congresso (apresentou um projeto criando o Dia da Mãe Adotiva, segundo consta de sua página no site da Câmara dos Deputados, e fez pronunciamentos no dia da posse e no Dia Internacional da Mulher), também não interessa.
Ele é uma celebridade, ele é polêmico e sabe tirar proveito da mídia. É personagem muito mais interessante do que a deputada a quem chamou de feia. Tem, portanto, o "direito" de ofender a deputada – e, de quebra, todas as mulheres – falando no seu novo programa de TV e mesmo no plenário da Câmara.
E a deputada Cida Diogo? Para a imprensa, apenas mais uma mulher no Congresso. Uma mulher que deve ser fraca, já que não soube responder à ofensa. Ou melhor, chorou, no melhor estilo do estereótipo da mulher frágil, que corre em busca de proteção quando é ofendida. Essa foi, pelo menos, a imagem que a imprensa passou.
Ninguém considerou que Cida Diogo talvez tenha chorado por indignação ou raiva, ofendida porque vai acabar entrando para a história do Parlamento brasileiro como a mulher que chorou ao ser chamada de feia. O que interessa na imprensa é a fofoca.
Primeiramente, acho que lugar de estilista é no ateliê, e não no Plenário da Câmara,Clodovil não tem a mínima postura de político, e quanto a deputada Cida Diogo, crises existênciais não resolvem o problema do Brasil, motivo pelo qual ambos estão lá. Acho que não resta nenhuma dúvida para ninguém porque o Brasil, não vai para frente.
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